Lipoproteína (a): O que é este exame e por que ele é crucial para o seu coração?
Quando pensamos em saúde do coração, o primeiro exame que vem à mente é o colesterol (LDL). Mas você sabia que existe um fator de risco “invisível” e herdado geneticamente que muitos check-ups ignoram? É a Lipoproteína (a), ou simplesmente Lp(a). Se você ouviu esse termo em um pedido de exame ou tem histórico de problemas cardíacos na família, este post é para você. Vamos esclarecer as principais dúvidas sobre esse marcador que, cada vez mais, faz parte da rotina dos cardiologistas modernos. O que é a Lp(a) e para que ela serve? Pense na Lp(a) como uma “partícula gordurosa” que circula no seu sangue. Ela é muito semelhante ao colesterol LDL, mas tem uma característica que a torna mais perigosa: ela é “pegajosa” e estimula a inflamação e a formação de coágulos nas artérias. A Lp(a) serve como um marcador de risco genético. Ela nos ajuda a entender se você possui uma predisposição biológica para ter entupimento de artérias, independentemente de como está o seu colesterol “comum”. É uma informação extra que nos ajuda a decidir o quão agressivos precisamos ser no seu tratamento preventivo.Quando o médico deve pedir a Lp(a)?As diretrizes internacionais de cardiologia mais recentes (2025/2026) são claras: todo adulto deve dosar a Lp(a) pelo menos uma vez na vida. É um exame único, que não precisa de jejum, e que serve para “setar” o seu risco basal. Porém, é prioridade máxima para:
- Pessoas com histórico familiar de infarto ou doenças cardíacas precoces (antes dos 55 anos para homens e 65 para mulheres).
- Jovens que tiveram problemas cardíacos sem explicação clara (sem outros fatores de risco clássicos).
- Quem tem risco intermediário ou alto para doenças cardiovasculares e precisa de uma decisão mais precisa sobre começar ou não o uso de medicações.
- Parentes de primeiro grau de alguém que já sabe que tem a Lp(a) elevada.

Fazer atividade física ou tomar remédio altera esse marcador? Aqui está um ponto que frustra muitos pacientes, mas que precisamos esclarecer: o nível de Lp(a) é determinado quase 90% pela sua genética. Diferente do colesterol LDL, que cai com dieta e exercício, a Lp(a) pouco se altera com mudanças no estilo de vida. As estatinas (remédios comuns para colesterol) também não reduzem esse marcador — pelo contrário, podem causar uma elevação discreta, mas isso não é motivo para parar o tratamento, pois o benefício da estatina na proteção geral do seu coração é muito maior.
Isso significa que o estilo de vida não importa?
Pelo contrário! Como não conseguimos “baixar” a Lp(a) com dieta, o nosso foco deve ser “anular” o risco que ela traz. Fazendo atividade física e mantendo uma dieta equilibrada, você controla os outros fatores (pressão, glicose, LDL) e reduz drasticamente o risco de infarto, mesmo com a Lp(a elevada).
Devo repetir o exame para ver se houve melhora?
Não. Como o nível de Lp(a) é determinado pela sua genética e não responde às terapias habituais (mudança de dieta ou estatinas), não há necessidade de repetir esse exame periodicamente. Uma vez dosado, o valor serve como guia para a vida toda. Você não deve usar a Lp(a) para “medir melhora”, mas sim para traçar a estratégia de proteção do seu coração.
Como tratamos a Lp(a) elevada?
Se o seu resultado vier acima de 50 mg/dL, não se assuste. Isso não é uma sentença, é um aviso. Quando encontramos esse marcador elevado, nossa conduta é:
- Controle intensivo dos outros fatores: Se a Lp(a) é um intensificador de risco, precisamos deixar o seu LDL (colesterol ruim), sua pressão e sua glicose “na ponta do lápis”. O controle agressivo desses fatores é a melhor forma de proteger suas artérias.
- Uso de medicações específicas: Em casos selecionados e de alto risco, podemos usar medicamentos que ajudam a baixar o LDL de forma mais potente, o que indiretamente reduz o risco global.
- Acompanhamento personalizado: A Lp(a) é um dado que nos ajuda a personalizar a sua prevenção.
Desta forma fica evidente que apenas uma dosagem na vida é suficiente e este é um marcador que auxilia na decisão da abordagem terapêutica quando outros como o LDL também estão alterados.
Dr Danilo Stabile Gonnelli (CRM-SP 184348 | RQE 91631) – Coordenador Médico da UTI cardiológica do Hospital Santa Catarina
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